COACHING EXECUTIVO: A CONQUISTA DA LIDERANÇA Rosa R. Krausz Editora: Nobel ISBN: 9788521313601 IDIOMA: Português. ENCADERNAÇÃO: Brochura | Formato: 16 x 23 | 208 págs. ANO DA OBRA/COPYRIGHT: 2006 ANO EDIÇÃO: 2007 Sobre a autora: Krausz, Rosa R. Rosa R. Krausz é Bacharel, Licenciada e Mestre em Ciências Sociais, Doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, Full Member da Worldwide Association of Business Coaches, Membro Didata para as áreas Organizacional e Educacional da International Transactional Analysis Association e da União Nacional de Analistas Transacionais - Brasil. Consultora em desenvolvimento de talentos humanos, é Diretora da INTELECTUS - Consultoria Empresarial, fundadora e presidente da Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial. Atua como Coach de Executivos, supervisora de Coaches Executivos e Empresariais além de dedicar-se à formação de Coaches e Analistas Transacionais. Publicou inúmeros artigos em revistas e coletâneas especializadas no Brasil e no exterior e é autora dos livros Homens e organizações, Administre bem o seu tempo, Compartilhando o poder nas organizações e Trabalhabilidade, todos publicados pela Editora Nobel. RESENHA Este é um livro excelente para o coach que deseja focar sua atuação no Coaching Executivo e Empresarial (CEE), também recomendo a profissionais de RH e executivos para que possam se familiarizar com o tema e fazerem escolhas mais conscientes e consistentes na contratação de um processo de coaching. As idéias são apresentadas de forma clara e concisa, citando as fontes de pesquisa de maneira que os leitores possam optar por pesquisá-las na fonte original, se assim quiserem. Apresenta uma vasta bibliografia sendo muito rico em conteúdo, listagens, pesquisas, quadros comparativos, gráficos e cases apresentados de forma muito construtiva e ilustrativa. Isso dá credibilidade ainda maior aos argumentos apresentados. A autora apresenta de maneira ampla o CEE relativamente recente no Brasil e ainda pouco conhecido ou pouco compreendido pelas empresas em geral, por isso nem sempre adequadamente aproveitado. Assim, busca desenvolver um abrangente estudo consistindo os temas relativos ao relacionamento entre o “coach” e o cliente baseado na confiança mútua, com a finalidade de expandir e aprimorar determinadas competências que o executivo deseja trabalhar, demonstrando com objetividade também como essa relação e desenvolvimento são facilitados e dificultados pelo ambiente organizacional onde o executivo está inserido. Este livro não lhe diz como fazer coaching, aborda o processo de coaching executivo e empresarial (CEE) como uma nova atividade profissional em construção que surge mediante um mundo contemporâneo cada vez mais sujeito às pressões das mudanças. Que apontam para o grande desafio atual que é desenvolver o “conhecimento para ação”, o que é essencial para aqueles que ocupam posições de liderança e dos que tomam decisões. Nesse cenário as alternativas tradicionais de desenvolvimento de executivos têm se mostrado inadequadas para atender as demandas atuais, em razão de seu ritmo, padronização, formalidade e tendência à teorização. O CEE é apresentado como uma metodologia caracterizada pela ênfase na ação e resultados, na customização, contextualização e brevidade do processo. Desenvolve-se como apoio para aprendizagem e desenvolvimento de competências, habilidades, conhecimentos e comportamentos do executivo, cujos efeitos tendem a se irradiar pela organização como um todo, provocando alterações estruturais, processuais, socioculturais e comportamentais nas pessoas e empresas. Destacam-se desta forma os temas claramente discutidos a cada capítulo:
- “Coaching e suas origens” - A autora busca criteriosamente na literatura e na sua consistente experiência uma clara definição para o Coaching, vasculhando na história a evolução e a conceituação do termo e seus derivados.
- “Coaching e outras modalidades de intervenção” – Apresenta aqui ilustrando seu texto com análises, discussões de casos e quadros comparativos as distinções entre coaching e outras modalidades de intervenção disponíveis como a consultoria, o mentoring, aconselhamento, treinamento e terapia no ambiente organizacional. Distingue também o coaching em duas grandes áreas de atuação, uma relacionada à iniciativa pessoal e outra com a atividade profissional, essa subdividida em coaches internos e externos.
- “Modelos de coaching” - Neste capítulo apresenta de maneira sucinta e clara alguns dos mais conhecidos modelos de coaching enfatizando alguns aspectos de seus processos, buscando adequá-los a uma demanda de um segmento de mercado ou a alguma aplicação específica. Os modelos de coaching apresentados, são: GROW de Graham Alexander, Coaching transformacional de Robert Hargove, Cultura de auto-desempenho e Coaching transformacional de Thomas Crane, O jogo interior de Thimothy Gallway, o modelo Achieve de Dembkovskki & Eldridge, o modelo de Thomas Leonard e o GPC de Marshal Godsmith.
- “Coaching executivo” – Aqui trata do coaching executivo como um processo de aprendizagem conceituado como: “um processo entre um coach executivo e um gestor que se propõe a alterar aspectos de seu comportamento e assim elevar a sua performance profissional, a da sua equipe e da organização para qual trabalha”. Apresenta como características do CEE: Processo customizado, formato flexível, acesso/contato just-in-time, olhos e ouvidos atentos, disponíveis e interessados, oportunidade para reflexão, feedback constante e de impacto, comprometimento mútuo e elevado potencial de irradiação.
“Princípios básicos e fases do processo de coaching” - Segundo Rosa Krausz, “o CEE tem se mostrado eficaz e com elevado potencial de influência no desenvolvimento e na aprendizagem dos executivos e gestores, e seus efeitos podem ser observados por meio de resultados alcançados na organização”. Essa eficácia só acontecerá, segundo a autora, na medida em que forem considerados e honrados alguns princípios básicos sobre os quais se constrói a relação coach e coachee. O principais princípios apresentados, são: Relação contratual, comprometimento, confiança, consideração/proteção//lealdade com o coachee/cliente, confidencialidade, não-condutividade/diretividade, conflito de interesses e concentração. - “A relação coach/coachee” – Aqui a autora dá ênfase à importância da relação coach/cliente como o ponto mais vulnerável do processo de coaching, que muitas vezes na literatura especializada é deixado de em segundo plano. A autora traça e analisa os estilos de relacionamento entre coach/coachee pela ótica da Análise Transacional de Eric Berne através do conceito de Posição Existencial que aborda os estilos de relacionamento e sintetiza a visão que cada ser humano desenvolve a partir dos primeiros anos de vida, impactando sobre a maneira como cada um tende a se ver, ver os outros e o mundo a sua volta, bem como as ações, os relacionamentos, as reações e as formas como nos comunicamos e processamos os estímulos recebidos. Traça a partir daí as posições existenciais coach/coachee e relacionamentos resultantes, então discorre sobre como se relacionar com os diferentes tipos de coachees apresentados.
Trata também sobre os quatro estilos comportamentais de Crane, a partir de duas variáveis: intensidade da assertividade e a intensidade da emotividade. Analisa como as diferentes combinações entre elas poderão impactar o relacionamento coach/coacheee e qual o comportamento mais adequado para o coach trabalhar com os coachees de cada um dos estilos: Colaborativo (baixa assertividade, alta emotividade), criador (alta assertividade, alta emotividade), condutivo (alta assertividade, baixa emotividade) e clarificativo (baixa assertividade, baixa emotividade). - “Coaching: o papel do coach”, “Coaching: o papel do coachee”, “Coaching: o papel da organização” – Nestes três capítulos a autora descreve em cada um o papel de cada ponta do contrato de três pontas: coach/coachee/organização mediante uma relação do estilo ganha/ganha ou da análise transacional onde o ideal é que as partes envolvidas assumam as responsabilidades de que cada papel e criem uma relação sinérgica.
- “Construindo uma cultura de coaching na organização” – A autora aqui da ênfase à cultura de coaching que é uma expressão relativamente recente na literatura especializada, que no livro é entendida como “um tipo de cultura organizacional na qual predominam relacionamentos cooperativos, troca constante de conhecimentos, experiências, informações e feedbacks relevantes para aprendizagem e o desenvolvimento pessoal e profissional dos membros da organização. Esses são constantemente encorajados a refletir sobre o sentido do seu trabalho, compartilhar idéias e opiniões, analisa-las, compara-las e assumir a responsabilidade por suas decisões tendo em vista os objetivos/necessidades da organização, dos que nela trabalham e da sociedade na qual está inserida”. Neste rico capítulo apresenta os quatro estágios progressivos de construção da cultura de coaching, segundo Clutterbuck & Meggison (2005), cada um com suas características específicas, são eles: Estágio nascente, estágio tático, estágio estratégico e estágio consolidado. Destaca assim, as dez medidas para instaurar uma cultura de coaching: relacionar a cultura de coaching com a estratégia da empresa, conquistar aliados, tornar o coaching parte integrante do desenvolvimento de lideranças, desenvolver uma metodologia basica de coaching baseada em valores éticos, técnicos e humanos compatíveis, comunicar-se claramente, adesão da cúpula, selecionar um pool de coaches possibilitando a escolha pelos profissionais de seu coach, garantir o sigilo e a confidencialidade do processo e selecionar com atenção os coaches que prestarão serviços, sejam eles internos ou externos.
- “Coaching executivo e empresarial: a rota da liderança eficaz” – Neste último capítulo a autora coloca as lideranças organizacionais como foco relevante de irradiação de comportamentos, valores, práticas, princípios entre outros que determinam a cultura organizacional e que tem responsabilidade pelo clima organizacional, imagem institucional e relacionamentos vigentes internos. Apresenta pesquisas que demonstram esses conceitos e contextualizam esse pensamento no cenário empresarial contemporâneo. Aponta para os desafios a serem enfrentados para não prejudicar o aproveitamento ótimo da metodologia de coaching no horizonte empresarial.
Como principal lacuna no livro se apresenta a falta de citação ou referência ao Modelo de Coaching com PNL, assim como à International Coaching Community (ICC) que não poderiam ser deixados de lado, dado suas expressivas contribuições ao desenvolvimento internacional de coaching, com mais de 3000 profissionais formados de maneira estruturada com os mesmos modelos e a mesma metodologia, onde o coaching apresenta as mesmas bases, métodos e filosofia pelos 50 países onde atua, sendo a maior entidade de coaching em abrangência de países hoje no mundo, além de sua atuação expressiva no Brasil. O livro é bem escrito, esquematizado e prazeroso de ser lido com títulos claros. Ele não faz promessas ilusórias, apresenta informações realistas, baseadas em fontes significativas de referência. Uma excelente contribuição ao processo de expansão do coaching no meio empresarial.
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